Fernando
Nogueira Pedrosa (*)
No
mês de janeiro de 2000, uma tragédia violenta
projetou para cima as estatísticas mórbidas
nas rodovias brasileiras. 46 argentinos e 3 brasileiros
mortos, além de cerca de 50 feridos graves, foi
o terrível saldo de duas tragédias consecutivas
ocorridas na BR 470 em Santa Catarina.
O impacto desses acontecimentos -
assim como a repercussão na imprensa brasileira
e argentina - comoveu a todos e ultrapassou as fronteiras
dos dois países diretamente envolvidos, chegando
também aos demais paises do cone sul que, habitualmente,
enviam milhares de turistas todos os anos para o verão
brasileiro.
Numa rápida e competente avaliação
das causas de tamanha tragédia uma triste, mas
previsível constatação:
Excesso de velocidade e imprudência
dos condutores envolvidos.
Naquela época uma dúvida
recorrente para os especialistas surgiu: tamanha violência
teria sido mera fatalidade ou de certa forma algo previsível
e, por isso mesmo, possível de ser evitado?
É fato corriqueiro que nos
meses de verão há um verdadeiro êxodo
de argentinos, uruguaios, paraguaios e chilenos que,
motorizados, buscam nos estados do sul brasileiro os
seus momentos de lazer e descanso. São povos
irmãos, vizinhos muito próximos, mas que
falam língua diferente e que têm seus próprios
hábitos de conduta na direção de
um veículo. Se a presença deles em nosso
país, sempre bem-vinda, não é um
fato esporádico, algo precisava ser feito para
orientá-los adequadamente sobre os riscos do
excesso de velocidade e da falta de cuidados ao dirigir,
na legítima tentativa de evitar a ocorrência
de acidentes dramáticos como o que marcou o verão
de 2000. Alertando-os, inclusive, sobre suas indelegáveis
responsabilidades, caso cometam infrações
em território brasileiro.
Convencido de que chegara o momento
de atuar na formação de uma nova consciência
de prevenção de acidentes e preservação
da vida para esse público, o Ministério
dos Transportes, por meio do Programa PARE - Programa
de Redução de Acidentes no Trânsito,
lançou no ano seguinte a sua campanha VIAJE BIEN.
LA VIDA ESTA EN SUS MANOS, em português e espanhol,
destinada a alcançar a grande massa de turistas
visitantes com mensagens de alerta, de orientação
e de serviços.
Os resultados expressivos verificados
nas pesquisas de opinião (De acordo com a pesquisa
encomendada pelo Ministério dos Transportes ao
IBOPE e realizada em fevereiro/2001 com 400 turistas
estrangeiros, 91% dos entrevistados apoiaram a campanha)
e no número de ocorrências registradas
(Estatísticas da Polícia Rodoviária
Federal acusaram redução de 20,8% no número
de óbitos no período da campanha) indicaram
o acerto da iniciativa do Programa PARE e a campanha
tornou-se permanente.
Para estas férias de 2004/2005,
espera-se um número ainda maior de visitantes
estrangeiros ao Brasil, principalmente no litoral catarinense.
E, exatamente por isso, a nova edição
da campanha VIAJE BIEN. LA VIDA ESTÁ EN SUS MANOS
se repetirá com participação ampliada,
agora contando também com a empresa de turismo
do governo catarinense. Fortalecendo o grande mutirão
que será formado para garantir a segurança
na circulação turística, a SANTUR
estará atuando em harmonia com o Programa PARE,
com a Polícia Federal, a Polícia Rodoviária
Federal, a Polícia Militar Estadual, O DNIT,
o DETRAN e as Secretarias Estaduais de Transporte e
Turismo dos municípios que fazem parte do roteiro
de verão.
A parceria é grande mas o objetivo
um só: segurança.
Além de toda a informação
necessária ao turista sobre a legislação
brasileira de trânsito, sinalização
viária e sobre as normas brasileiras de notificação
e cobrança de multas, o motorista estrangeiro
também receberá dicas e orientações
práticas sobre roteiros e oportunidades de turismo
que vão contribuir significativamente para o
seu bem estar e para a qualidade de sua permanência
em nosso país.
Todos que estão engajados nessa
missão têm plena consciência de que
o sentimento terrível de quem sofre um acidente
viário não têm fronteiras nem cidadania.
Esse sentimento sem pátria se propaga pela linguagem
universal da dor e do sofrimento.
Esperamos que a tragédia que
aconteceu exatamente no primeiro verão do terceiro
milênio seja apenas uma triste e jamais repetida
lembrança indesejável.
(*)
Jornalista e Publicitário
Coordenador Sul/Sudeste do PARE
Programa de Redução de Acidentes no Trânsito
Ministério dos Transportes
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